TDAH e Autismo: além da banalização, a necessidade de acolhimento

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Nos dias de hoje, é comum encontrar, nas redes sociais e em conversas informais, frases como “sou desatento, devo ter TDAH” ou “sou tímido, então devo ser autista”. Embora pareçam inofensivas, essas falas contribuem para uma banalização preocupante de condições sérias e complexas, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Para as famílias e indivíduos que convivem com essas condições, esse cenário pode ser doloroso. O que para uns é apenas uma “brincadeira” ou um rótulo fácil, para outros representa uma jornada real, muitas vezes marcada por desafios no aprendizado, na vida profissional, nas relações sociais e até no cuidado com a própria saúde emocional.

Quando o diagnóstico vira rótulo

O problema da banalização é que ele gera descrédito. Quem realmente enfrenta as dificuldades relacionadas ao TDAH ou ao Autismo pode sentir que sua experiência está sendo deslegitimada ou comparada a situações superficiais. Isso pode causar frustração, isolamento e até mesmo atrasar o acesso a diagnósticos e intervenções adequadas.

É importante lembrar que tanto o TDAH quanto o TEA são condições do neurodesenvolvimento, descritas em sistemas internacionais como o DSM-5-TR (APA, 2022) e a CID-11 (OMS, 2019). Não se resumem a comportamentos pontuais, mas sim a padrões persistentes de funcionamento, que só podem ser avaliados com precisão por profissionais especializados.

O que realmente importa

Mais do que rotular, o que realmente transforma vidas é o acolhimento. Famílias que recebem compreensão em vez de julgamento conseguem fortalecer vínculos, buscar apoios adequados e promover a autoestima de seus filhos. Adultos que recebem diagnóstico responsável encontram caminhos para reorganizar suas rotinas, melhorar a qualidade de vida e construir relações mais saudáveis.

Por isso, falar de TDAH e Autismo exige respeito e responsabilidade. Ao invés de simplificar ou ironizar, precisamos abrir espaço para escuta, empatia e informação de qualidade. Só assim construiremos uma sociedade mais justa, em que cada pessoa possa ser reconhecida em sua singularidade — com seus desafios, mas também com suas potencialidades.

Referências

American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5th ed., text rev.; DSM-5-TR). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing.

World Health Organization. (2019). International Classification of Diseases for Mortality and Morbidity Statistics (11th Revision, ICD-11).

Leitão, V. M., & Sisto, F. F. (2021). Transtornos do neurodesenvolvimento: desafios diagnósticos e educacionais. Psicologia: Ciência e Profissão, 41(2), 1-14. https://doi.org/10.1590/1982-3703003237320

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